Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética. Che Guevara

sexta-feira, 11 de março de 2011

Sento em minha cadeira e fico encarando pilhas de cadernos e livros. Indiferente, bebo um gole do amargo café, que desce queimando minha garganta. Meus olhos vão para todos os lados focando nas fotos de meus amigos, nos meus ursos de pelúcia, a série que está passando na tv. Fujo de uma pequena palavra que intitula os livros ali na estante, prevendo a reação que minha mente inquieta. Porém não só aquelas nove letras incitam sensações de medo. Levanto e fico olhando pela janela, tamborilando os dedos no parapeito. Bufo e desisto de continuar ali.
Caminho na rua com óculos escuros e fones de ouvido, com o volume no máximo. Faço de propósito, justamente para criar um escudo, onde eu só me ouço, ao invés de ouvir o barulho de carros e outras pessoas apressadas na rua. Ali sim, deixo que a bendita palavra invada minha mente. "Terceirão". Por que só isso causa em mim reações físicas - mãos suadas e trêmulas - e psicológicas - nostalgia, medo e temor?
Sinto cada vez mais a indiferença tomando conta de mim. Seria para fantasiar o medo? Ou pra tentar tirar todos esses pensamentos insanos de minha vazia cabeça? Talvez um esvazie minha cabeça, penso.
Sento numa mesa com vista para a rua. Cada vez que alguém caminhava por ali com um livro embaixo do braço fazia a mesma promessa mentalmente: A partir de amanhã começo a estudar. E cada vez mais sei que estou só me enganando. O fato é que eu quero uma universidade boa e concorrida. E não faço nada por isso. Até por que, tudo conspira para que essa aprovação - e toda a realização de planos e sonhos cultivados durante anos - realmente não ocorra.
Termino o maldito capuccino, que apenas me fez pensar mais, e parto rumo a minha casa, onde certamente, se eu não criar vergonha na cara, continuarei a encarar aquelas nove letras.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Música.

Há alguns anos essa música entrou na minha vida. Passou pela porta, sala, cozinha. Marcou as paredes. Encheu a casa de morte e vida. Uma música que não sabe ser sutil. É ardente, intensa. Dispensa as apresentações, mas é profunda como se tivesse sido arrancada das minhas próprias mãos. Durante o dia ela é suave. À noite quase me enlouquece. Engole meu sono, mastiga meus pensamentos. A música dele não tem refrão. Ela em si é um refrão que ecoa em minha cabeça, através de uma voz que me causa medo. Arrepio. Seus acordes me doem. Me ardem. A música dele é uma contradição. Me aquece nas noites vazias e frias, mas só existe por que ele não está aqui. Os seus passos, seu toque, seu cheiro, seus olhos, fragmentos de sua arte que formam minha melodia preferida. E, no entanto, consigo senti-la com tanta paixão por que ele não está aqui.

Cássia Tavares.

domingo, 16 de janeiro de 2011

            Só lhe restava a camisa preta, aquela do primeiro encontro e a vista linda que tinha da janela do apartamento de Alice. Às vezes bebericava uma lata de coca – que, na verdade, era mais vodka que refrigerante. Cheirava o perfume que ele deixara na camisa, o sentia abraçando-a, sussurrando em seu ouvido sobre a beleza das estrelas e  o via pegando a lagrima que caíra de seu olho com o dedo indicador. Maldita ilusão!, pensou ela, desde o início foi ilusão minha! Sempre fui o brinquedo dele!
            Pegou a garrafa de vodka e virou-a. Enquanto sentia aquela sensação quente e boa descendo por sua garganta, vestiu um jeans qualquer, pegou uma nota de 100 reais e saiu. Com a camisa preta de Fernando – abotoada errada, chinelos de dedos, um coque desajeitado no cabelo loiro, que já estava com a raiz castanha. E tinha um destino certo.

E

domingo, 2 de janeiro de 2011

Gavetas, folhas e planos...

Vasculhando minhas gavetas, revivendo um pouco do meu passado percebi que muitas coisas vão perdendo o sentido com o tempo. Quando eu era criança costumava guardar os adesivos que ganhava para usar em algum momento especial. Ou separar as folhas de fichário que eu mais gostava para usar quando escrevesse algo para alguém especial. Acabei encontrando tudo isso jogado no fundo de uma gaveta esperando por esse tal momento especial que nunca veio. As folhas amarelaram e os possíveis destinatários mudaram. As ocasiões em que eles deveriam ter sido usados passaram e eu sempre os guardando esperando por algo maior. Eu sei que são apenas adesivos e folhas mas quantas coisas deixamos de fazer por medo de realizá-las no tempo errado. Por nos julgarmos adiantados ou atrasados para correr atrás daquilo que realmente nos motiva. Quantas palavras deixamos de dizer à espera da segurança, da hora certa e quando percebemos ela já passou e levou junto todos os sentimentos à serem expressos. Tantos momentos deixamos de viver a cada dia e nos assumimos como meros espectadores da nossa própria existência, presos em outro tempo, em outras circunstâncias, em nossos planos ou ressentimentos. Não quero me despedir desse mundo com uma coleção de folhas ou adesivos e sim com várias cartas enviadas e uma porção de experiências, boas ou ruins não importa apenas vivenciadas por completo.

Cássia Tavares.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A beleza das palavras não está em sua complexidade, mas sim na sinceridade de quem as escreve.


Obrigada por sobreviver as minhas crises, meu choro e minha raiva. Só tu me ouves, me apóia, sem me criticar, sem se importar com o tempo. Queria poder lhe devolver tudo o que tu já fez por mim. Mesmo quando me deleito em ti, e fico horas ali, insistindo que minha cabeça funcione para poder fazer com que tudo fique bem novamente. E tu ficas ali, calma e serena como só podes, aguardando. Desgasto-te com todo o tipo de sentimento e arma possível, mas não reclamas, afinal não sentes a dor nem o sentimento. És atônita a qualquer coisa que te acontece, afinal tua beleza depende daqueles que te criam, da sinceridade imposta, e não da tua complexidade. Juro que caso a torne vazia, este será meu último ato. Por favor, não faça que nem as outras malditas e fuja. És a única coisa que me sobrou, a única coisa que me consola. Até meu ultimo suspiro pensarei em ti, no teu sentimento inexistente, que diz tanta coisa. Fique ao meu lado, que juro fazer com que meu sentimento, minha alma, te transforme na coisa mais linda e pura do mundo. Não siga a mesma atitude das tuas amigas das Artes. Não fuja de minha caneta nem do meu papel. E muito menos de minha cabeça, por favor.

E


domingo, 26 de dezembro de 2010

Rosas.

Lembram-nos da fragilidade da vida
Suas pétalas sofridas entregues ao vento
Enfeitam lamento
Celebram amores
Rosas fazem bem ao coração
Sua sensualidade sutil
Entregue a alguém que em oração partiu
Perdidas na decoração
Choram vermelho
Um vermelho de morte
De sorte ?

Cássia Tavares .

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ruas.

Caminhando pelas ruas
Inclinando a cabeça para baixo
Procurando não focar nenhum rosto
Nenhum movimento ao meu redor
Encolhendo-me cada vez mais em meu mundo
Que em nada condiz com o que aqueles olhares mostram
Apertando com força os olhos para não deixá-las fugir
Não ! Ilusões fiquem aqui
Estranho que mesmo tão longe
Seus olhos reflitam meu mundo
Tradução de uma vida
Ou de um sonho?
Meus heróis não passam de fantasmas
Minhas paixões insensatas, ideologias forçadas
Tantos planos de fugir de casa
Mal amada!
Festejada, desejada solitária
Conta ladrilhos
Corre os passarinhos
Reza para evitar o castigo
Condenada, inocente culpada
Foge do silencio temido
Incoerente gemido
Voa sem amar
Vive sem sonhar
Chora...
Chora por não saber explicar.

Cássia Tavares .